Parmi les grandes inexactitudes qui jalonnent les soixante ans d’histoire du parc Ibirapuera figure l’attribution erronée du projet paysager de celui-ci à Roberto Burle Marx, figure tutélaire du paysagisme brésilien. Ce dernier a pourtant proposé d’intervenir à plusieurs reprises en ce lieu au cours des années 1950, 1970 et 1990. Cet article cherche à reconstruire les raisons de ses rapprochements et éloignements successifs ainsi que celles des résistances auxquelles il s’est heurté avant que le dernier de ses projets ne soit accepté, quoique partiellement, renforçant encore l’idée fausse et récurrente qu’il avait été le concepteur du parc. Cette attribution fantasmée n’a fait que brouiller la perception d’un processus historique particulièrement tumultueux.
Uma das grandes imprecisões que atravessam as seis décadas de história do Parque Ibirapuera é que seu projeto paisagístico teve a autoria de Roberto Burle Marx, o principal nome do paisagismo brasileiro. Este artigo busca reconstruir os processos de aproximação e desaproximação do paisagista com o parque e suas propostas de intervenção nos anos 1950, 1970 e 1990. Visa, ainda, retraçar as razões pelas quais tais projetos encontraram resistência à sua realização, pois apenas o último gerou resultados práticos e, ainda assim, parciais, o que torna o equívoco de atribuição, ainda corrente, um mito que neutraliza um processo histórico bastante tumultuado.
BURLE MARX E O PARQUE IBIRAPUERA: QUATRO DÉCADAS DE DESCOMPASSO (1953–1993)
Paris & São Paulo 2017
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Um estudo que reconstrói as aproximações e distanciamentos entre Roberto Burle Marx e o Parque Ibirapuera, analisando as propostas do paisagista para o parque nos anos 1950, 1970 e 1990 e as resistências que impediram sua plena realização. Ao desmontar o equívoco recorrente da autoria do projeto paisagístico, o texto evidencia um processo histórico marcado por disputas políticas, institucionais e territoriais que moldaram o parque ao longo de seis décadas.